Mudanças na Comissão do Crédito Consignado INSS

MPAS, Banco Central e INSS mudam regras na comissão do Crédito Consignado INSS. Saiba quais são as medidas e mudanças na remuneração

O crédito consignado INSS ou empréstimo consignado do INSS tem sido o grande filão das linhas de crédito com baixo risco neste país, a operação é garantida pelo desconto das parcelas na folha de pagamento do aposentado e pensionista com aposentadoria ou pensão pelo INSS. O crédito consignado foi criado no Governo do então Presidente Lula da Silva, na época o Banco BMG obteve a exclusividade por três meses, tempo suficiente para mantê-lo como maior banco privado na concessão de consignado por anos seguido.

Durante esses quase 7 anos de consignado para beneficiários do INSS muitas empresas de crédito foram criadas, milhares de correspondentes e agentes financeiros foram credenciados para captação de novos contratos e refinanciamentos de empréstimos, e centenas de milhares de vendedores e corretores de crédito surgiram, ou seja, muitos e muitos empregos diretos e indiretos foram concebidos graças a concorrência entre os bancos.

No início poucos bancos privados de 1ª e diversos de 2ª linha dominavam as operações de consignado, mas quando os bancos públicos (BB e Caixa) viram que era mais que um mercado promissor, o canibalismo desenfreado dessas instituições colocaram a baixos direitos constitucionais, direitos dos cidadãos e do contribuinte pegar dinheiro emprestado onde bem quisessem e daí por diante.
Comissão do Crédito Consignado INSS

Mudanças no consignado inss

Muitas mudanças foram realizadas para tornar a operação de crédito consignado INSS mais segura, mais prática e acessível para todos os beneficiários, incluindo a redução da taxas de juros aos níveis que estão hoje. No entanto, o governo federal está promovendo uma campanha que deverá incluir mais mudanças no consignado para os aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

O Ministério da Previdência em conjunto com o INSS e o Banco Central estão querendo colocar regras comerciais nas operações realizadas por bancos privados, instituições financeiras e Cooperativas de crédito. Segundo os órgãos, o objetivo principal é baixar ainda mais as taxas de juros que hoje está em 2,14% de máxima e 0,75% de mínima, apesar da mídia informar juros de 0,75%, com essa taxa só possível fazer contratos de 6 parcelas, então só podemos concluir que é pura ilusão.

A facilidade que o crédito consignado INSS trás ao banco e ao mutuário justifica a taxa baixa, o risco de crédito é quase zero, além disso o desconto das parcelas é automático na aposentadoria ou na pensão todos os meses enquanto o contrato do empréstimo vigorar.

As regras que estão sendo criadas pelo Ministério da Previdência em conjunto com o INSS e o Banco Central deverão atingir de cheio os prestadores de serviços diretos e indiretos do sistema, a minha impressão é que a verdadeira intenção parece ser a de atingir os famosos pastinhas (vendedores e corretores de crédito que fazem a intermediação porta a porta entre o tomador de empréstimo, o correspondente bancário e a instituição credora, um triângulo amoroso que o governo quer a todo custo desfazer.

Como funciona o comissionamento?

O banco ou instituição financeira, autoriza uma empresa para atuar como correspondente bancário ou não bancária que por sua vez contrata sem vínculo empregatício vendedores, corretores ou agentes de empréstimos que são chamados de “pastinhas”. O que ninguém diz é que os pastinhas são os que verdadeiramente fazem e desenrolam os contratos, para entregá-los no correspondente que por sua vez, os envia para o banco ou instituição credora.

Na transação, o ganho com a concessão do crédito consignado INSS é dividida em três partes:

1ª pessoa -) A Instituição credora – leva sua parte através do Spread da operação.

2ª pessoa -) O Correspondente bancário – ganha a comissão com a intermediação do consignado que varia entre 1% a 10%, podendo chegar a 11% até 14% e premiações com (carros, motos, computadores, laptops, tvs de última geração, tablets, iphones, celulares etc.) e bônus em dinheiro ao atingirem metas estipuladas.

3ª pessoa -) O corretor (pastinha) trabalha por conta própria, sai em busca de novos contratos, renovação de empréstimos, refinanciamentos e até intermedia a portabilidade de empréstimo para arrumar um troco para seu cliente. Em troca do seu trabalho recebe uma comissão que é combinada com o correspondente do banco.

Temos aqui uma relação onde todos saem ganhando, um mercado livre e independente que deverá ser submetido por justificativas pouco satisfatórias ou ortodoxas, a intenção é impor regras na remuneração que os bancos pagam aos intermediários, querem limitar a comissão em 10% do valor do crédito concedido.

O que me surpreende e o fato de ao ler diversas reportagens sobre esse assunto, uma pessoa sempre desaparece, a 2ª pessoa não é a 3º pessoa. Os correspondentes não são “pastinhas”, são intermediários autorizados e regulamentados pelas resolução número 3.110 e 3.954 do Banco Central do Brasil, e até onde entendi, existe muita, mais muita informação truncada nos meios de comunicação.

Intervenção na comissão

O mais intrigante é o órgão querer impor até a forma como o pagamento deverá ser feito, a regra impõe que essa mesma comissão seja paga ao correspondente de acordo com a duração do contrato do crédito consignado INSS – que loucura é essa? A ideia é bem simples, isso serve para evitar que o corretor transfira o empréstimo para outro banco ou nos casos de quitação da dívida antecipada o correspondente deixaria de receber a comissão. Só esqueceram de entender que o mutuário também quita empréstimo por conta própria e quem solicita a transferência de banco com a compra e venda de dívida ou portabilidade também é o cliente, só para conseguir uma volta em dinheiro.

Nunca vi tamanho absurdo, dizer que se cortar ou reduzir as comissões dos intermediários os bancos irão reduzir os custos do empréstimo – me diga como? Na visão dos responsáveis pelo Ministério da Previdência Social (MPAS), se houver limitação na remuneração dos correspondentes bancários e dos “pastinhas”, as instituições bancárias, financeiras e credoras cortarão os juros do crédito consignado do INSS, visto que como os gastos com o crédito serão menores com as comissões feitas aos intermediários, 2ª e 3ª pessoa.

Assédio aos beneficiários

O Ministério insiste em dizer que o assédio dos vendedores e corretores de empréstimos e correspondentes bancários que eles chamam de prestadores de serviços, incitam os aposentados e pensionistas ao crédito, ou seja, estão induzindo e contribuindo para o endividamento excessivo dos beneficiários, fala sério, quem acredita nessa história, os aposentados e pensionistas do INSS estão endividados porque não tem dinheiro suficiente de aposentadoria para ter uma vida digna e vislumbram no consignado uma solução barata de remediar a deficiência financeira deixada de herança pelos governos atual e anteriores.

O que diz a Aneps

De acordo com Edison Costa, presidente da Associação Nacional das Empresas Promotoras de Crédito e Correspondentes (Aneps), as regras e mudanças teriam pouco efeito no auxílio para a queda dos juros no crédito consignado para o INSS. Disse ainda que a comissão de 10% já é praticada pela maioria das instituições bancárias e financeiras. Esse valor consta na medida do Ministério.

Vamos aguardar o que deverá acontecer… Se você trabalha com consignado e quer expor sua opinião bem formada a respeito desse assunto ou qualquer outro relacionado ao crédito consignado, envie sua pauta no email [ contato aredondo portaldoemprestimo.com ] ou solicite informações de como publicar aqui no Blog, daremos créditos e links.

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